sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A amarelar


Terminaram as Lovenoxs, o antibiótico e os “pain killers” e eu cá estou, 11 dias depois da cirurgia e já em regime semi-autónomo.

Para variar, tenho de vigiar as cicatrizes e edemas com algum cuidado, porque como diz uma certa alentejana, este corpinho esbelto já está farto de sofrer e demora um bocadinho mais a recuperar das invasões plásticas. O corpo ainda está pisado, ainda dava umas belas fotos para o catálogo da United Colours of Benetton, mas não há dores (desde que não considere que posso fazer tudo o que quero). 

Informação útil: estou a "amarelar" :)

 

Sinto-me mais equilibrada fisicamente e, apesar de repensar as minhas opções sempre que acordo no recobro toda dorida e zombie, sinto que estou no caminho certo. Sim, no caminho, porque isto ainda não acabou.  Tudo a seu tempo, como deve ser.

Beijinho

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Lovenox

Um Lovenox por dia, não sabe o bem que lhe fazia...menos naquela parte em que tens de espetar a agulha na tua perna!!!


Ps. É apenas enoxaparina, para evitar coágulos após a cirurgia😎

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Secound round: ouch!


Já no conforto de casa, reitero a posição que assumi anteriormente em relação às plásticas….submeter-se a invasões destas só para ficar mais “bonito” pode ser claramente assumido como um sinal de loucura.

Não quero com isto dizer que no meu caso também não exige um pouco de loucura…ou até bastante se virmos bem as coisas. Poderia ter ficado com o corpo que o cancro me deixou, mas a verdade é que passando aquele primeiro impacto de “susto de morte”, a vida faz-nos querer mais qualquer coisa…nem que o qualquer coisa seja só um soutien completo e uma camisola a assentar direito.

Piadas à parte, na segunda-feira, pelas 16h entrei para o bloco, para a segunda grande cirurgia, no que diz respeito à reconstrução mamária por via de retalho abdominal (aka TRAM). Prevista para demorar mais ou menos 1h, acabei por sair do bloco já mais tarde, perto das 18h. Sempre bem recebida no bloco, com uma equipa de enfermagem muito carinhosa…uma delas até se lembrava do meu TRAM…e da pele em mau estado. Yep, sempre bom deixar boas recordações nas pessoas.

O que fui fazer desta vez?
Ora pois, cirurgia de simetrização (vulgo "equilibrar o velho com o novo" ou mastopexia em termos técnicos), retificar algumas cicatrizes e colocar uns pequenos shots de gordura na mama reconstruída para ficar mais “lindinha”. A questão é… de onde vem a gordura num corpo não “cheio”?

Lipoaspiração…o segredo de beleza de muitas senhoras. E eu só vos digo que estou toda pisada. Parece que fui atropelada por um camião. O meu cirurgião escarafunchou os flancos e costas à procura da bendita gordurinha boa…e pelas marcas que deixou, deve ter sido uma aventura.


Felizmente eu estava a dormir. Mais uma anestesia geral, mais uns meses de falhas de memória, nomes que me vou esquecer, coisas que não me vou lembrar de fazer…

Acordei bem da cirurgia e da anestesia, se bem que a noite no hospital foi algo premonitória. Acordei, para variar, de madrugada cheia de sangue…revivi o filme dos pontos rebentados imediatamente, mas não era nas mamas felizmente, eram só uns buraquinhos da barriga a “verter”.

Às 6 da manhã vem a medicação e o barulho dos carros na rua e lá se vai o sono de beleza. Ao contrário da cirurgia anterior (que envolveu o corte na barriga), desta vez levantei-me suavemente com a ajuda do enfermeiro, sem desmaios nem quebras de tensão súbitas. Conseguir ir ao wc é uma vitória.

Quando o médico me vem ver de manhã, vi no olhar dele que algo não estava bem...a mama “velha” estava estranhamente volumosa. Já o tinha sentido quando acordei, mas pensei que fossem paranóias da minha cabeça. Com tanto medo de formar hematoma ou seroma, pensei que estava a imaginar coisas, mas não estava mesmo. Tenho de vigiar bem, tentar colocar algum gelo e caso note mais alguma alteração a nível de cor ou volume, tenho de ir ter com o médico para ele “aspirar”…esta palavra até me deu arrepios….aspirar???

Dormi mal esta noite e não foi só pelas dores nas costas, bacia, barriga e afins… acordei umas 4 vezes para colocar pomada e ver como estava a evoluir. Parece que não houve evolução no sentido negativo, o que é muito bom neste momento. Nem tudo corre bem à primeira, pelo menos comigo. Tem de haver sempre esta emoção.

Com a minha mãe a querer alimentar-me tipo ganso na França, apenas posso dizer que na próxima lipoaspiração, já devo ter gordura para mais “shots” de gordura. 

Obrigado pelas mensagens de apoio.
Beijinho
Vera

sábado, 7 de outubro de 2017

Em estágio

Estou em estágio e não, não é pelo facto de o nosso Illiabum jogar hoje no Dragão Caixa, até porque a Rita já disse que o Illiabum vai ganhar ao Porto hoje. Assim esperamos, equipa!

Estou em estágio, na verdade porque se aproxima a segunda cirurgia. Na máquina de lavar, fazem-se as últimas lavagens de pijamas, cintas, soutiens pós-cirúrgicos e meias....as benditas meias de compressão que me custaram os olhos da cara. Sorte a delas que eu não sou uma mulher violenta, porque se há coisa desconfortável de usar, são mesmo as meias de compressão altamente sexys!

Amanhã é dia de fazer a mala, para mais um dia no hotel.
Wish me luck!

Bjinho e curtam o sol, porque a vitamina D faz muita falta ao nosso organismo!


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Próxima faca, por favor!

Há por aí quem diga que eu lhe tomei o gosto....andar sempre em médicos, em revisões, em constante sobressalto. Sempre fui de ideias firmes, lá está!

Faço, de facto, revisões muito rotineiras e pouco espaçadas no tempo, porque o cancro inflamatório da mama não é propriamente a coisa mais simpática do mundo e para ter paz de espírito, preciso de seguir esta rotina. 

Por vezes, no caminho para o consultório médico, cruzam-se pensamentos otimistas e pessimistas ao mesmo tempo, entremeados por algumas piadas que se vai ouvindo da rádio, no meu caso das manhãs da Comercial. O sobressalto e o medo levam-me muitas vezes a caminhos do pensamento menos simpáticos. Quem já apanhou o verdadeiro "cagaço", sabe do que falo. Os outros imaginam, ou tentam, ou ignoram pessoas como eu, porque lhes lembramos que são mortais.

 Pois bem, hoje fui a mais uma revisão, desta vez da cirurgia plástica. 6 meses depois do primeiro corte e costura, tenho carta verde para a segunda intervenção, que vai acontecer em breve. Sempre disse que estas questões não me perturbavam como a oncologia, mas hoje senti um estranho "aperto" antes de entrar para a consulta do Dr. Conde. Parecia que ia prestar provas públicas de alguma coisa....e afinal, era o membro que estava a ser avaliado, e não eu:)

Passou, mas não atingiu a nota máxima. Como se esforçou pouco na altura do hematoma e por não ter exigido mais da pele queimada pela radioterapia (denote-se ironia da minha parte), vamos de a trabalhar mais um pouco nesta segunda intervenção, se bem que a maior parte do trabalho do cirurgião será dedicado à simetrização. Desta vez, a cicatriz vai ser em forma de âncora, até porque já estou sem espaço para grandes retas:)

Bota mais uma estadia no hotel:)













Bjinho
vera


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Dia do fisioterapeuta

Parece que agora há dias para tudo e mais um par de botas atualmente.
Dia do João, do Pedro, da Maria e do Manuel....e hoje é dia do fisioterapeuta, segundo consta.

Pois, parece que vou ter de elogiar a minha fisioterapeuta, senão ela depois vinga-se de mim e acreditem...com pequenos gestos que me pareciam inofensivos há uns tempos, apetece-me berrar em certas alturas, ou simplesmente bater-lhe com o braço que está livre, mas...tenho mesmo de me controlar para evitar ofensas corporais à terapeuta.



Vou tendo sempre sorte com as pessoas que encontro nesta aventura do cancro (exceptuando a equipa médica do hospital onde me tentei tratar inicialmente). E com a fisioterapia também tive essa sorte. Pessoas que aliam a capacidade técnica à boa vontade, à simpatia e à amizade com os pacientes.

A Stela, logo após a mastectomia e radioterapia, que tinha imenso cuidado comigo para não rasgar ainda mais a pele e me fazia sempre ficar bem disposta com o seu bom humor e capacidade de ver o copo sempre meio-cheio (e não meio-vazio). Ainda hoje a Rita me fala da massagem que a Stela lhe ensinou a fazer às mãos da mamã.

Mais recente, a Mónica tem ajudado a libertar movimentos, tecidos e outras coisas estranhas derivadas da reconstrução mamária. O fisioterapeuta desempenha um papel fundamental nestes processos, e ainda que fisicamente às vezes, ela me leve a querer espancá-la, a verdade é que a evolução sente-se de forma contínua e é com esse foco que a visito 3x por semana. Por isso, e pelos seus lindos olhos :)

Obrigado a ambas, porque de facto não é preciso ser só bom tecnicamente. É preciso saber cuidar e ser boa pessoa para o paciente se sentir seguro convosco.

Beijinho,

Vera

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Back to beginning

Há uns dias atrás, recebi um abraço forte. Vieram dar-me um abraço ao meu local de trabalho e foi tão bom, tão sincero e carinhoso. Alguém com quem eu falara apenas virtualmente, alguém que também experimentou as "alegrias" de um cancro de mama. Independentemente da idade, da experiência de vida, da profissão, da terra, sentimos necessidade de ouvir histórias positivas...e este abraço veio de alguém com quem eu tinha falado em tempos idos.

Apoiamo-nos mutuamente, como uma espécie de aliança secreta, muitas vezes nos manhosos chats e messengers que por aí surgem instalados em todos os telemóveis. Hoje conheci mais uma mulher, mais uma que daqui a uns tempos me virá, espero eu, dar um abraço a Aveiro.

Disse a essa nova guerreira para ler o meu blog, porque o caso é semelhante, infelizmente.O cancro inflamatório da mama é raro, mas ultimamente começa a atacar cada vez mais mulheres e cada vez mais cedo, muitas em amamentação, ou pouco depois disso.

E hoje, ao reler as minhas primeiras entradas (com medo que a nova guerreira se assustasse com o relato), senti necessidade de voltar a repor o velhinho template...o rosinha desbotado que tanto me acompanhou neste caminho e que me faz mais sentido para poder aceder a todo o historial.

São quase 4 anos de relato. E fico feliz por saber que, algures, o propósito inicial do meu blog está a ser cumprido.

"Se eu puder sossegar uma "Maria" que seja neste país, já sentirei que o esforço valeu a pena."
Vera, 1ª entrada do blog a 14 de janeiro de 2014, link